Escrito por Fernando Geronazzo Seg, 05 de Setembro de 2011 21:00
Foram mais de dois anos me preparando para este momento abençoado, e agora vou lhe repassar o que vivi dentre os dias 16 e 21 de agosto. Realizada em Madrid, capital da Espanha, a JMJ teve como lema “Enraizados e Edificados em Cristo, firmes na Fé!” (Cf. Col 2,7); através das catequeses que tive juntamente com outros jovens de países de Língua Oficial Portuguesa, esta citação contém três imagens: “Enraizado” recorda a árvore e as raízes que a alimentam; “edificados” refere-se à construção de uma casa; “firme” evoca o crescimento da força física e moral.
Quando Bento XVI chegou à Espanha, sinos de Igrejas e Catedrais Espanholas soaram por alguns minutos. Neste momento, tivera acabado de participar de uma catequese, na Paróquia de San Sebastián. A alegria foi imensa e a emoção “rolou solta”. Em seu discurso de chegada, às 19hs, quando o Sol ainda predominava nos céus europeus por causa do Fuso Horário, o Santo Padre disse: “Queridos Jovens, rezamos para que Cristo, com sua mensagem de esperança e de amor tenham eco também no coração daqueles que não crêem ou se afastaram da Igreja. (...) A Igreja precisa de vós, e vós precisais da Igreja.” Esta frase me marcou profundamente.
No dia 19, durante a Via-Crúcis, as imagens que recordavam o sofrimento de Cristo recordaram também da imagem de um primo meu que hoje, na minha idade, está preso, colegas de estudo e a minha paróquia.
No dia 20, participei da Vigília no Aeródromo de Cuatro Vientos. Cheguei ao local às 16 horas, para um evento que começaria às 21 horas. O cansaço e o calor de 40°C cada vez mais me unia com Deus. Jatos d’água passavam constantemente para amenizar o calor. Quando me dei conta, mais de dois milhões de jovens eu um espaço de aproximadamente cinquenta campos de futebol, estavam ao meu redor. Quando Bento XVI chegou à alegria tomou conta; logo depois começou a chover, com ventos e raios que levavam bandeiras, guarda-chuvas e tudo que não tinha certo apoio. Foi até divertido, e me animei ainda mais quando jovens do mundo inteiro dançavam e pulavam de alegria. Até o santo padre nos deu sua benção e nos elogiou, por permanecermos firmes naquele momento de preocupação. “Vocês permaneceram firmes a chuva, e também na fé.” Quando o papa falava além do “arrepio constante” das palavras que tocava fundo em meu coração, o silêncio predominava – só ouvíamos sua fala e as gotas de chuva caindo.
No dia 21, tivemos a missa de envio, onde o santo padre disse na homilia: “Desta amizade com Jesus, nascerá também o impulso que leva a dar testemunho da fé nos mais diversos ambientes, incluindo nos lugares onde prevalece a rejeição ou a indiferença. É impossível encontrar Cristo, e não o dar a conhecer aos outros. Por isso, não guardeis Cristo para vós mesmos. Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O mundo necessita do testemunho da vossa fé; necessita, sem dúvida, de Deus. Penso que a vossa presença aqui, jovens vindos dos cinco continentes, é uma prova maravilhosa da fecundidade do mandato de Cristo à Igreja: "Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura" (Mc 16, 15). Incumbe sobre vós também a tarefa extraordinária de serem discípulos e missionários de Cristo noutras terras e países onde há multidões de jovens que aspiram a coisas maiores e, vislumbrando em seus corações a possibilidade de valores mais autênticos, não se deixam seduzir pelas falsas promessas dum estilo de vida sem Deus.”
No final da celebração, o santo padre anunciou o Rio de Janeiro como sede da próxima Jornada Mundial da Juventude. Como Delegado da CNBB, eu e outros jovens já oferecemos nossos empenhos para o voluntariado durante a próxima edição da JMJ, que será em julho de 2013.
Agradeço a você leitor, e todos da Paróquia São José Operário, aos Missionários da Milícia da Imaculada, na qual pretendo me ingressar em breve; aos meus familiares, professores, amigos e companheiros de peregrinação, pela oportunidade de participar deste evento. Permaneçam Enraizados e Edificados em Cristo, firmes na fé!
Gabriel Fernandes - catequista e membro da Paróquia São José Operário de Dourados (MS)